Flávio Grão

Nasci em 75 no ABC paulista, sou artista autodidata e desenhista compulsivo desde os três anos de idade, creio que aprender a desenhar antes de escrever fez com que eu desenvolvesse certa facilidade em expressar simbolicamente meus sentimentos na linguagem gráfica. Até por volta dos quinze anos, minha expressão artística se deu basicamente em cadernos.

Vivi em São Bernardo do Campo até o início da vida adulta participando das vertentes artísticas e culturais que esse contexto histórico espacial possibilitava, principalmente o movimento punk e o skate. Desta forma comecei a expressar minha arte nos meios gráficos deste contexto, camisetas, cartazes, capas de álbuns e zines punks, shapes de skate e etc.

Por volta dos vinte anos comecei a pintar (tinta acrílica sobre tela) para atender uma necessidade de expressão que continuava a pulsar. Neste mesmo tempo me graduei em letras e literatura, onde tive meu primeiro contato com as teorias das vanguardas artísticas europeias, ponto de partida para um estudo que se estende até hoje sobre teoria e critica da arte e que considero parte indissociável de minha produção.

Olhando em perspectiva, de 2000 à 2010 foi período embrionário na minha arte, de intensa produção, estudo e amadurecimento de técnicas, no final deste década participo das minhas primeiras exposições individuais.

Em 2011 comecei a produzir exposições (minhas e de outros artistas) adquirindo o conhecimento de diversas etapas do processo, como montagem, curadoria, elaboração de material impresso e divulgação na mídia.

Participei também na última década do ateliê coletivo do Museu Lasar Segall (São Paulo – SP), onde desenvolvi um trabalho com gravuras em metal (água forte e água tinta).

No segundo semestre de 2014 fiz duas exposições temáticas com técnicas e temas diferentes em Natal (RN), uma de aquarelas (Exi-lar) e uma de pinturas a óleo (O que não coube na palavra). Ainda no final deste ano participei de uma exposição com desenhos em nanquim com pincel (Desedukators).

Em 2015 fiz duas exposições individuais, a temática Hidrodinâmica Humana na Oficina Cultural Gerson de Abreu em Iguape, SP e Antídoto, uma retrospectiva de meu trabalho na galeria do Epicentro Cultural em SP.

Em 2016 participei de duas exposições coletivas, uma na Pinacoteca de São Bernardo do Campo e outra na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Em 2018 fui convidado a fazer uma exposição individual na Pinacoteca de São Bernardo do Campo. Esta exposição foi denominada Fitopersonas e contava com mais de 70 obras.

Creio possuir um trabalho prolífico e autoral, com assinatura forte e crítica, e que graças à qualidade e temática circula com naturalidade entre ambientes distintos como galerias de arte, museus, revistas, fanzines e capas de discos de punk rock.

Contemporâneo de toda uma geração de artistas urbanos, possuo como diferencial o estudo contínuo de técnicas e estéticas mais clássicas da pintura e desenho, como bico de pena, aquarela, gravura água forte e pintura a óleo. Trabalho também com materiais cotidianos e vulgares como tinta de parede e corante em busca de resultados estéticos diferenciados.

Meus trabalhos começam a fazer parte de acervos públicos como Pinacoteca do Estado de São Paulo, Pinacoteca Potiguar e Pinacoteca de São Bernardo do Campo.