Larissa Barcellos

Intitulada como "Not a Robô" a exposição é uma análise sensível e visceral sobre os paradoxos da evolução da tecnologia versus a nossa evolução como seres humanos.

Essa mostra é a combinação de palavras, desenhos e cores; sua própria linguagem visual onde a artista Larissa Barcellos intitulou como Into The Mirror, conceito que tem como principal característica a pintura sobre o vidro duplo e sobreposto. O método de produção nos remete ao espelho, pois tudo que é colocado na frente fica invertido e na pintura em vidro não é diferente. O processo é pensado e realizado invertidamente. As palavras que ela usa frequentemente são como poesia concreta, e quando você as lê em voz alta, elas parecem um poema sonoro, que cria uma espécie de estrutura paralela da sua obra. Através disso, você se sente seguro ao ver as imagens que ela criou - mas então você é interrompido por desenhos das partes internas do corpo, elementos biológicos que ela acrescenta à construção da imagem: cérebro, estômago, um coração abstrato longe do seu real simbolismo.

O propósito é a linha tênue entre dois corpos; o Homem e a Máquina do século XXI. É uma linha inimitável que ela cria, que dá o poder a sua arte. A linha artística da Larissa define os corpos em evolução como a demarcação entre o interior (ser) e o exterior (tecnologia). As pressões do mundo contemporâneo comprimem a prestação dos corpos e ambos levam ao caos.

É verdade que toda palavra e desenho começa com uma linha. E cada palavra que você escreve é uma linha e toda linha é um desenho. Uma linha única que você encontra em poucos outros artistas da história da arte: Keith Haring, Jean Basquiat, Warhol e Picasso.

Concentrar-se no trabalho de Larissa Barcellos é reconhecer sua complexidade formal e o impressionante comando que ela tem em cada pincelada, rabisco, pontos e gotas de tintas, cada detalhe sinaliza essa notável convicção em refletir sobre o caminho que a humanidade está percorrendo a largos passos. Isso remonta à linha em seu trabalho, tanto como autoral quanto como uma progressão contínua de ideias, que se desenvolvem através da experiência e refletidas de volta para o espectador.

O ponto de partida da exposição está ancorado num espantosa série de pinturas, duas antigas, raramente vistas - e obras contemporâneas, retratadas como "robonóides" imaginários feitos sobre o vidro duplo. Abrindo um momento chave para questionar a representação pictórica da história do amanhã e o mundo que nos pertence.

Curadoria KinJin